CIRURGIA PEDIÁTRICA

Atualizado: Jan 16

A Cirurgia Pediátrica é a especialidade médica responsável pelo tratamento cirúrgico de doenças congênitas ou adquiridas, desde o período neonatal até o fim da puberdade. Tem área de atuação extensa, envolvendo vários sistemas orgânicos (digestório, respiratório, genitourinário, vascular, tegumentar e musculoesquelético).


O cirurgião pediatra está apto a tratar desde o recém-nascido que apresente um diagnóstico de malformação congênita que necessite de tratamento cirúrgico, até o adolescente com abdome agudo. Por ser dedicar a uma especialidade tão ampla, é necessária atualização teórica frequente, assim como o aprendizado de novas técnicas cirúrgicas.

Por tratar muitas vezes de pacientes com doenças complexas, a prática da especialidade demanda infraestrutura adequada, com disponibilidade de equipamentos e materiais cirúrgicos adequados às diversas faixas etárias, além de suporte de terapia intensiva neonatal e pediátrica.

Entenda o papel do cirurgião pediátrico

A cirurgia pediátrica é uma especialidade que trata desde situações menos complexas, como fimose ou hérnias, passando por condições de urgência, como apendicites ou derrames junto ao pulmão, até doenças com maior risco à vida como tumores abdominais ou torácicos.

Cirurgião Pediátrico é o medico que, após cinco anos de treinamento em Residência Médica (dois em Cirurgia Geral e três específicos em Cirurgia Pediátrica), se torna habilitado a cuidar de crianças com doenças potencialmente cirúrgicas diversas. Atende desde crianças ainda no útero, ao consultar gestantes com filhos que podem necessitar de operação após o nascimento, até adolescentes.

O grande diferencial do cirurgião pediatra é ser treinado para lidar com recém-nascidos com doenças congênitas, como más-formações dos intestinos, rins ou pulmões, em equipe com outros profissionais que cuidam da gestante e de seu bebê.

“A Cirurgia Pediátrica acompanha a Pediatria no entendimento que crianças devem ser tratadas de forma particular, pois várias doenças que as acometem se apresentam e evoluem de modo diferente que nos adultos. Neste sentindo, uma importante característica da área é a busca de condutas mais conservadoras e tratamentos menos agressivos. Ao contrário do adulto, a criança é um ser em desenvolvimento e algumas situações podem mesmo ser resolvidas sem operação”, orienta o médico.

Nesse sentido, a evolução tecnológica tem permitido que diversos procedimentos, mesmo em lactentes, sejam hoje realizados por videolaparoscopia, caracterizando o que se chama Cirurgia Minimamente Invasiva Pediátrica e Neonatal. Esta não se restrige a um mero detalhe cosmético, mas, em várias situações, permite resultados iguais ou superiores ao acesso convencional, no que diz respeito a fatores como inflamação, do pós-operatório, taxa de infecção, tempo de internação e complicações tardias, associada à recuperação mais rápida e menos dolorosa.

A necessidade de uma operação sempre dependerá primariamente da condição clínica da criança e da doença a ser tratada. A via de acesso e a técnica cirúrgica são passos seguintes a definir.

Em todo procedimento cirúrgico, independente da via de acesso, há sempre variáveis e limitações individuais (profissionais e pacientes) e dos equipamentos de forma que o risco de complicações pode ser minimizado, mas não eliminado por completo. Resumindo, o Cirurgião Pediátrico cuida especificamente de crianças com doenças cirúrgicas diversas, buscando sempre alternativas menos agressivas para solucioná-las.

Especialidades correlacionadas

O trabalho é realizado em conjunto com as diversas sub-especialidades pediátricas, incluindo a Neonatologia e a Terapia intensiva. Há anestesiologistas especializados em Anestesia Pediátrica, que apresenta características particulares, já que a maioria dos procedimentos cirúrgicos na infância são realizados sob sedação ou anestesia geral.

Áreas específicas na cirurgia pediátrica

A Cirurgia Pediátrica compreende diversos campos, cada um contando com sua especificidade.

  • Pré Natal- Período que engloba toda a gravidez, onde são feitos exames para ver se o bebê está se desenvolvendo de forma ideal. Caso surja algum problema, o cirurgião pediátrico conscientiza os pais da situação e toma as medidas cirúrgicas adequadas, após o nascimento da criança e, em alguns casos (hidrofenoses, válvulas de uretra, como exemplo), o cirurgião atua na criança ainda intra-útero, realizando derivações urinárias.

  • Neonatal– Fase de tratamento ao recém-nascido, até os 28 dias de idade, tratando de bebês prematuros ou a termo. A atuação do cirurgião pediátrico consiste na constatação de más-formações congênitas e de como tratá-las cirurgicamente.

  • Urologia Pediátrica– Os casos mais freqüentes nos quais atuam os cirurgiões pediátricos são relativos a más-formações e doenças nos órgãos genitais e urinários.

  • Trauma– É um dos principais motivos de morte de crianças em todo o mundo e os cirurgiões pediátricos estão preparados para lidar com qualquer situação traumática.

  • Oncologia Pediátrica– Muitas crianças acabam desenvolvendo tumores, sejam eles benignos ou malignos. O cirurgião pediátrico tem a função de ver o tratamento mais eficaz para a criança.

  • Vídeo-laparoscopia- Modalidade que cada vez mais faz parte da cirurgia pediátrica, mas que necessita de um grande aprendizado.

PROBLEMAS MAIS COMUNS

A Cirurgia Pediátrica é um campo muito vasto. Trabalha com crianças de todas as idades, desde bebês até adolescentes, e também com aconselhamento fetal e atendimento de adultos que ainda têm problemas decorrentes de doenças congênitas. Isso faz do trabalho do Especialista um campo extremamente variado de atuação, embora alguns problemas clínicos sejam mais frequentes.

O objetivo, aqui, é o de prestar informações gerais: a suspeita clínica ou de familiares precisa, para esclarecimento correto, de consulta com um cirurgião pediátrico. Isso é necessário para se confirmar o diagnóstico e, ao mesmo tempo, oferecer prognóstico e planejamento para o tratamento.

CURIOSIDADES

Mesmo com a rotina intensa, muitas vezes grande sobrecarga emocional, por tratarmos de pacientes tão pequenos e muitas vezes bastante graves, o dia a dia reserva alegrias e algumas curiosidades. A especialidade muitas vezes é desconhecida pelo público em geral, que acredita que o cirurgião pediátrico é pediatra (clínico) e também cirurgião. Muitos pais, na primeira consulta, acreditam que a criança será operada no consultório ou ambulatório, sob anestesia local. Várias vezes brincamos junto com os pacientes (incluindo auscultar e fazer curativos em bonecas e brinquedos) para ganhar sua confiança e permitir a aproximação. Carimbos exercem fascínio sobre as crianças. Deixa-las carimbar uma folha de receituário é um presente para elas. E não é raro tratarmos de toda família, como irmãos e primos e em alguns casos, os pais já tinham sido pacientes do mesmo cirurgião.


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